A minha experiência profissional no Alentejo e, sobretudo, no Algarve permitiu-me contactar diariamente com alunos de diferentes nacionalidades, culturas, línguas e percursos de vida. Foi no Algarve que despertei uma maior sensibilidade para a riqueza da diversidade cultural, mas também para os desafios que ela coloca à escola e aos professores. Trabalhar com estas crianças exigiu empatia, abertura e uma constante capacidade de adaptação. Contudo, muitas vezes senti um certo sentimento de impotência perante a escassez de recursos, o elevado número de alunos por turma e as dificuldades em proporcionar o apoio individualizado que estes alunos exigem.
Atualmente, no Norte do país, embora esta realidade não seja tão expressiva como a que vivi no Algarve, ela está cada vez mais presente, fruto dos atuais fluxos migratórios. Ser professor na interculturalidade implica, por isso, reconhecer a diversidade como uma oportunidade de enriquecimento humano e educativo, promovendo uma escola inclusiva, onde cada aluno se sinta valorizado na sua identidade e tenha iguais oportunidades de sucesso. Mais do que transmitir conhecimentos, é educar para o respeito, para a convivência e para a cidadania num mundo cada vez mais plural.