Ser professor na interculturalidade
Ser professor é mais do que transmitir conhecimento científico mas também é. Como fazer chegar esse conhecimento aos alunos, como motivá-los à aprendizagem, é a chave para alcançar um dos objetivos principais de todos os agentes envolvidos no processo ensino/aprendizagem (professores, alunos, encarregados de educação, escolas). Motivar alunos que entendem a nossa língua, estão integrados num sistema de ensino e num contexto escolar que conhecem, é aparentemente mais fácil do que motivar alunos estrangeiros. Contudo, a barreira da língua por vezes não é um fator impeditivo da progressão das aprendizagens intransponível. Muitas vezes, os alunos de culturas diferentes da nossa, estão mais motivados e empenhados em aprender do que os alunos portugueses, têm objetivos definidos e encaram a dificuldade da língua como algo a superar com esforço. As diferenças não separam, acrescentam, essa tem sido a minha experiência. Nas escolas em que tenho lecionado não se têm verificado discriminações significativas de alunos por razão da sua nacionalidade. O que é normal ver-se, é uma integração nas turmas sem problemas, muitas vezes os próprios alunos dão apoio aos alunos estrangeiros e as escolas procuram disponibilizar apoios para que a integração se faça da forma mais eficaz possível. O que me parece importante é salientar o que de positivo se faz nas escolas com as estruturas intermédias, com os encarregados de educação, nas salas de aula, nos relacionamentos que se estabelecem e que desbloqueiam receios daqueles que chegam e daqueles que estranham as diferenças. E isso acontece nas escolas e nas salas de aula. Tudo é cor de rosa? Não, mas cabe a cada um de nós, na nossa área de ação, fazer com que haja abertura ao entendimento da diferença e respeito pelo outro. Quem chega precisa adaptar-se às diferenças que vai encontrando e quem recebe, precisa de colocar-se no lugar do outro e dar-lhe espaço e tempo para encontrar o seu lugar, aqui connosco. Neste processo, damos e recebemos, e isto é interculturalidade para mim.