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"A minha viagem... a minha descoberta"

O início da viagem

O início da viagem

por Zélia Filomena Branco - Número de respostas: 0

   

Sou professora de História e História da Cultura e das Artes há 22 anos e pertenço ao Quadro de Escola do Agrupamento de Escolas Lima de Freitas. Esta escola está sediada num dos concelhos mais frágeis e multiculturais do país, a cidade de Setúbal, numa zona particularmente vulnerável do ponto de vista social, económico e cultural.

No entanto, não posso afirmar que enfrente frequentemente grandes desafios decorrentes da diversidade cultural existente. Contudo, podem surgir, por vezes, alguns "ruídos" na comunicação, diferentes formas de estar e de ser, o que exige uma atuação responsável de toda a comunidade escolar para acompanhar, apoiar e integrar aqueles que chegam à nossa escola e também aqueles que são os seus pares, que igualmente merecem acompanhamento e, sobretudo, a consciência de que podem contribuir muito para acolher quem, num momento particularmente importante da sua vida, necessita de ser recebido e integrado.

Como professora deste agrupamento, desempenho igualmente o papel de mediadora cultural, uma vez que sou frequentemente desafiada a mediar conflitos que possam surgir em resultado desta integração e das relações entre os alunos. Cabe a cada um de nós, enquanto professores, contribuir para a construção de pontes de entendimento, diálogo, tolerância e aceitação da diferença, através de práticas que vão ao encontro das necessidades específicas da escola onde exercemos funções.

A interculturalidade faz, por isso, parte do meu quotidiano enquanto docente numa escola multicultural, onde convivem diferentes culturas, experiências de vida e formas de aprender. Vejo a imigração e a presença de migrantes como uma oportunidade de enriquecimento humano, social e cultural.

Enquanto professora da área de Integração, de História e de Ética, procuro promover sentimentos de respeito, tolerância e aceitação através da valorização das diferentes culturas presentes na escola, incentivando o diálogo, o respeito mútuo e a compreensão das múltiplas prespetivas que compõem a sociedade.Sempre me vi como uma pessoa inclusiva e tolerante. Quando estou com os meus alunos, não os considero, nem os avalio pela sua origem; procuro reconhecer as suas capacidades, os seus desafios e o seu potencial. A minha disciplina permite-me encontrar estratégias e instrumentos que ajudam os alunos a compreender as razões que estão na origem dos movimentos migratórios, as transformações sociais que deles resultam e a importância da convivência entre diferentes povos.

A Ética, temática que também trabalho com os meus alunos, permite-me abordar valores como a justiça, a empatia, a solidariedade e o respeito pela dignidade humana.

Uma escola inclusiva é uma escola pedagogicamente rica porque é diversa: integra culturas diferentes, línguas diferentes, experiências diferentes, costumes diferentes, religiões diferentes e cores diferentes. São precisamente estes aspetos que tornam uma escola mais completa, mais inclusiva e mais preparada para responder aos desafios da sociedade atual.

Como professores, pais e educadores, temos a responsabilidade de educar para a interculturalidade, ou seja, de formar cidadãos mais conscientes, capazes de viver numa sociedade plural, democrática e respeitadora das diferenças. Devemos promover um espaço de encontro, diálogo e construção de uma comunidade onde todos têm lugar e onde cada pessoa se sente valorizada e pertencente.