Nas cartas a Lúcio, Séneca diz que "a alguns assalta uma saturação de fazer e ver sempre o mesmo - e não um ódio, antes um fastio da vida [...]: até quando sempre o mesmo? De certo acordarei, dormirei - terei fome, comerei - terei frio, terei calor. Nada tem um fim, tudo está ligado em círculo, tudo foge e retorna. [...] Tudo assim passa para voltar outra vez. [...] São muitos os que acham que viver não é [sequer] amargo, mas sim supérfluo." (Séneca, Ad Lucillium epistulae morales, XXIV, 26).
Muito tempo depois, Fichte perguntava-se: "Comeria eu e beberia, só para poder voltar a ter fome e sede e comer e beber, até que a sepultura aberta sob os meus pés me tragasse e eu mesmo brotasse do solo como alimento? Geraria eu seres iguais a mim, para também eles comerem e beberem, e morrerem, e deixarem atrás de si seres como eles, que hão-de fazer o mesmo que eu já fiz? Para quê este círculo que continuamente torna a si, este jogo que sempre recomeça do mesmo modo, em que tudo passa-a-ser para perecer e perece para passar-a-ser de novo? Para quê estre monstro incessantemente a devorar-se a si mesmo, para poder voltar a gerar-se, e a gerar-se para poder de novo devorar-se?" (Fichte, Die Bestimmung des Menschen).