Talvez uma das maiores emergências, e até uma premente necessidade pedagógica da atualidade, seja a de erguermos espaços de acolhimento, encontro e composição, onde se possa caber mais inteiro e onde se possa sentir que, nesse mesmo instante nutridor, algo em nós pode abrir e continuar a crescer.
Um espaço sereno para um quase reaprender a escutar e a dar espaço interior ao nascer de perguntas, nossas e de outros, capazes de nos entretecer e de nos despertar, num continuum que enriquece um ‘si’ e um ‘com’ expansivo, sem se sucumbir ao impulso e à ansiedade por respostas prontas e imediatas.
O ambiente global parece cada vez menos capaz de salvaguardar certas dimensões fundamentais de humanidade, tantas vezes dissolvidas na rapidez, na opinião instantânea, na saturação de informação ou numa dúvida permanente onde, por vezes, a crítica agreste ganha terreno e turva horizontes de visão alargada.
Neste contexto, filosofar com crianças e jovens pode efetivamente constituir-se como um raro espaço de escuta, demora, pensamento partilhado e composição de múltiplos caminhos de alento humano. Mais do que procurar respostas certas, poderá tratar-se, muitas vezes, ‘simplesmente’ de criar espaço para ‘respirar bem’, para alargar perspetivas, para sorrir por dentro, para gerir incompreensão, ou simplesmente para aprender a habitar e a deixar fluir melhor perguntas que precisam de emergir, nuances que constroem o estar presente e desenhar linhas que revelam possibilidades de encontro e criação mútua. E há algo nesta sugestão de ‘filosofar com’ que nos inspira um ‘finalmente aqui chegados’ e uma via para aprofundar questões relevantes garantido, inclusive, dimensão estética, poética, simbólica, e afirmando capacidade para fortalecer e até poder resgatar... Por isto tudo, cuidarmos de lugares seguros onde se caiba melhor, que reflitam espaço para aprender, despertar e compor, merecem reconhecer e sentido de se fazer parte.