Uma vez na minha sala do pré-escolar recebi uma criança de 5 anos, vinda do Brasil. Apesar de falar português, a criança utilizava expressões, vocabulário e entoação diferentes, o que inicialmente gerou alguma estranheza entre os colegas. Algumas crianças riram-se de certas palavras (como “ônibus” em vez de “autocarro” ou “trem” em vez de “comboio”), levando a criança a ficar mais reservada e a participar menos nas atividades de grupo.
Intervi no sentido de promover momentos de conversa sobre as diferenças na língua portuguesa em diferentes países, explorando palavras, músicas e histórias do Brasil. Incentivei a criança a ensinar aos colegas algumas expressões brasileiras, valorizando o seu conhecimento. E aproveitei o facto de algumas crianças portuguesas falarem algumas palavras em brasileiro devido ao facto de visualizarem jogos/vídeos nesta mesma língua e transformamos esta situação em momentos lúdicos e de conhecimento/partilha/integração.
Este caso demonstra que a diversidade cultural pode ser um importante motor de aprendizagem no pré-escolar. A diferença linguística da criança, inicialmente geradora de estranheza, foi transformada numa oportunidade educativa através de uma abordagem baseada na educação intercultural. Ao valorizar o português do Brasil, promoveu-se o respeito pela diversidade, a curiosidade e a inclusão. Penso que esta estratégia reforçou a sua autoestima e favoreceu o envolvimento do grupo e enriqueceu o processo educativo e as relações entre as crianças.