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Ser professora da Inter e na Multiculturalidade

Ser professora da Inter e na Multiculturalidade

por Ana Paula Vilar de Pinho - Número de respostas: 0

- Descrição de uma situação vivenciada que evidencie impacto ao nível da Interculturalidade na Educação 

No meu percurso pelo ensino público, tenho tido diversas experiências interessantes ao nível da Multiculturalidade, tenho encontrado turmas bastante “ricas” no que concerne à temática trabalhada.

Vou dar um pequeno exemplo de uma turma, na EB Rui Martins, na Figueira da Foz, 2.º ano de escolaridade, onde tinha uma turma com 23 alunos e apenas 5 eram de nacionalidade Portuguesa. Os restantes alunos eram de etnia Cigana, Colombianos, Indianos, Ucranianos, Brasileiros, Cabo-verdiano, entre outras nacionalidades. Para além destas questões, ainda havia 7 alunos a beneficiar de medidas de apoio educativo.

Posto isto, é fácil perceber que o ambiente em sala de aula era desafiante, desconcertante e em certos dias puramente caótico. O início foi aterrador, a adaptação foi difícil, até porque duvidei muito da capacidade de implementar um trabalho sério, com exatidão, cujo objetivo primordial, (naquele momento), era a aprendizagem. Com o passar do tempo, fui percebendo que estes alunos e as suas famílias não veem a escola como nós, têm formas de estar diferentes, perceções diferentes e neste sentido, o que eles esperavam da escola não foi ao encontro, (muitas vezes), do que eu como professora idealizava realizar ou colocar em prática.

Foi assim, que aprendi a baixar expectativas e a mediar a realizar o possível entre a ilusão e o concretizável. Desta forma, percebi que por vezes o conteúdo curricular tem que ficar um pouco de parte, devendo o nosso foco ser no trabalho de outras competências, que sem elas os alunos não concretizam os pré-requisitos para a aprendizagem ativa. Neste caso, optei por trabalhar aspetos simples, como o saber ser e estar, a aceitação, a intervenção ordeira e o respeito mútuo por exemplo.

No cômputo geral, através desta experiência aprendi que a educação intercultural deve ser uma abordagem educativa que promove o respeito, a compreensão e a valorização das diferentes culturas presentes na sociedade. Na escola, essa abordagem torna-se fundamental para promover a diversidade, a inclusão e a equidade.

 

 

Análise do caso à luz dos desafios e dos benefícios da diversidade cultural para a aprendizagem 

No início a estranheza foi geral, afinal estávamos perante alunos completamente diferentes, hábitos de estar diferentes, posturas diferentes, línguas diferentes, formas de pensar diferentes, uma verdadeira miscelânea de sentimentos, emoções e sensações.  As crianças não percebiam o outro, muitas vezes o que diziam não fazia sentido, e a aceitação nem sempre foi fácil. Afinal estávamos perante diversas culturas, onde os comportamentos eram necessariamente distintos.

Ao longo do tempo, fomos tentando adequar a nossa postura, muito foi conseguido na base de um diálogo muito próximo. Fomos percebendo gostos pessoais e tentando traçar um percurso sério, mas com bastante calma. Foram chamados à escola/turma Mediadores Culturais que estreitaram laços entre as famílias e a escola e que tiveram um papel fundamental, pois ajudaram a encontrar estratégias, algumas delas relativas à barreira da língua. Em momentos fulcrais, as famílias foram convidadas a estar presentes na escola, como forma a dar o seu contributo. Muito importante também, foi dar abertura para serem esclarecidas todas as possíveis dúvidas e ansiedades, através de uma comunicação estreita e quase diária.

Quase diariamente tentávamos conversar sobre a diversidade, como é sabido a área da Cidadania deve estar implícita na escola em quase todas as temáticas que trabalhamos. Neste sentido penso que os nossos diálogos foram sempre uma mais valia, conseguimos aproveitar todas as situações, por vezes até as mais caricatas para conversar sobre pertença, aceitação respeito, entreajuda e todos os aspetos que fazem partes de um crescimento empático.

Com o passar do tempo, penso que todos começamos a sentirmo-nos mais à vontade, mais confiantes e mais recetivos à mudança implícita.

Em suma, a educação intercultural naquela turma/escola foi fundamental para promover a inclusão, o respeito e a equidade no ambiente educativo. Através das todas as estratégias aplicadas e do compromisso de toda a comunidade escolar, foi possível criar um ambiente enriquecedor que acabou por valorizar a diversidade e contribuir para o desenvolvimento daqueles alunos para serem cidadãos do mundo. A implementação daquelas estratégias simples acarretou benefícios tanto a nível individual como social para os alunos, professores e toda a comunidade educativa, contribuindo para a construção individual e coletiva de todos os envolvidos neste processo.