Continuação do meu Diário de Bordo
Relato do 3º dia de navegação
A nossa navegação já ia em alto mar. Já estávamos totalmente habituados às diferentes marés que os diferentes temas do curso de formação nos traziam. As partilhas das nossas ideias continuavam a agitar o nosso mar de ideias, de sentimentos, de inquietações, de vontade de contribuir, da melhor forma possível, para uma verdadeira inclusão de todos os nossos alunos, TODOS.
Era o nosso terceiro dia de navegação e foi-nos pedido para partilhar o que a nossa escola fazia na prevenção de atitudes discriminatórias e na promoção da interculturalidade. Abri o meu Diário e comecei a escrever.
Já referi, por diversas vezes, que o meu agrupamento de escolas tem muitos alunos estrangeiros. Esta realidade tem-se acentuado gradualmente nos últimos anos. Ao mesmo tempo, temos sentido um acentuar de atitudes de discriminação, através de atitudes racistas e xenófobas. Infelizmente, este acentuar de atitudes tem vindo a crescer ao mesmo tempo que o discurso populista tem vindo a tomar lugar na comunicação social, principalmente nas redes sociais.
A forma como o agrupamento está organizado tem ajudado a combater estas situações. E começa pelo papel dos diretores de turma e demais professores das turmas, através da identificação das situações que são logo comunicadas nos conselhos de ano semanais, em que nessas reuniões identificamos os problemas e tentamos logo resolver através dos recursos que temos na escola: a Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva (EMAEI), Psicóloga Escolar, Mediadores Culturais. Conforme as situações identificadas, fazemos por promover intervenções diretas com os alunos em questão e com os seus encarregados de educação; promovem-se ações de sensibilização nas turmas e outras medidas mais personalizadas., sem esquecer o importante papel de cada um dos docentes junto dos seus alunos no seu dia-a-dia de trabalho.
Se são medidas suficientes para promover a Interculturalidade e prevenir atitudes discriminatórias, sabemos que não. Sabemos que ainda é pouco para resolver todos os problemas. Mas já é um começo. Cabe a nós, professores, continuar a acreditar numa escola onde todos os alunos se sintam felizes e seguros.
Aos vinte e dois dias de julho de 2026
Rosária Pacheco